K'raminholas

Muitos não suportam a singularidade das palavras , todavia, elas para mim são chaves, cabe a você saber a que portas elas pertencem. Se não descobrir sozinho que cada uma delas pode abrir qualquer porta, então talvez esteja na hora de levantar a bunda gorda da cadeira e perceber como cada uma delas pode revelar o mundo ao qual você está ignorando e, consequetemente, desperdiçando, nessa poltrona de insensatez e ociosidade .

Cardápio !

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os "Auschwitz" brasileiros



É bem comum ver-se na TV á cada 2 ou 3 anos, um daqueles trailers que remontam - sob perspectivas cada vez mais "inovadoras", e não menos execráveis por isso - as barbáries ocorridas nas décadas em que se estenderam as Guerras Mundiais. Também é corriqueiro a comoção dos espectadores, do outro lado da tela, com seus comentários críticos e indignados, à cada cena de conteúdo mais forte. A repugnância estampada na face de cada pessoa, ao deparar-se com os horrores impostos por cada "colônia de férias", "carinhosamente presenteada" por Hitler, aos judeus, é notável.
Os campos de concentração alemães ou soviéticos, de início podem até parecer uma página triste na historia da humanidade, e que com muito esforço está sendo superada pela mesma.
Fato é que, os mesmos rostos indignados no cinema, são aqueles que ignoram e se omitem diante de nossos próprios "campos de concentração contextualizados"
Está à olhos vistos, a total degradação de nosso sistema prisional. A lição "Carandiru" parece não ter sido suficiente para o alerta brasileiro, quem vez por outra, encontra estampado em seus jornais manchetes cada vez mais assombrosas relacionadas aos presídios do país. O problema é que tais manchetes são reais, e não capa de qualquer outra revista de apoio a indústria cinematográfica. 
Em menos de uma semana o Brasil recebeu duas noticias escandalosas. Em Florianópolis uma fuga em massa com mais de 70 apenados, de um presídio que deveria ser de Segurança Máxima. No Maranhão, a morte de 6 presos, dos quais 4 foram decapitados pelos próprios detentos em protesto à superlotação de uma delegacia. 
Chega a ser de um humor mórbido, dizer que no Brasil não existe pena de morte, e que essa, não é decidida pela justiça.
Nossos campos são legais.
O solapamento de nosso sistema penitenciário é evidente. A superlotação, a falta de recursos que viabilizem condições dignas aos detentos, além da corrupção carcerária e da violência, fazem parte de uma lista indizível de problemas a serem solucionados no país. O RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) adotado pelo Brasil é controverso. Afinal, qual a finalidade dos presídios? Punir exclusivamente? Se esse, for o objetivo, o êxito está sendo obtido. Porque de fato, os presidiários hoje são tratados como animais enjaulados, ainda que inferiores aos bichos do Zoológico, que pelo menos recebem visitas. Privilégio que os apenados em presídios de segurança máxima não possuem na prática, visto que, esses presídios são concentrados num único estado da federação,os afastando da família.
É compreensível que medidas rigorosas sejam tomadas para prevenir o bem estar social, mas, com a atual situação, o que está sendo criado, são verdadeiras escolas do crime. Há uma generalização na hora do encarceramento, onde pessoas não julgadas ainda são postas em conjunto, com ladrões de galinha, e esses com sociopatas, e esses ainda com estupradores e pedófilos. Os último, declaradamente, prato predileto na prisão, literalmente falando.
Casos bem sucedidos mundo afora, demonstram que a resocialização dos presos feita pelo Estado é uma maneira de se recuperar essas pessoas, dando-lhes alento de vida, além de proporcionar à sociedade o exemplo e a quebra de antigos preconceitos. Nos EUA, na casa de detenção de Atikka, em New York, os presidiários trabalham na prisão costurando material esportivo para multinacionais, como a Adidas, remuneradamente, além de terem a pena reduzida em um dia á cada três trabalhados.
É óbvio que as condições culturais de outro país não podem ser comparadas ás de outro país, sob o risco não obterem sucesso. Mas no Brasil mesmo, existem inúmeros projetos que visam recuperar essas pessoas.
 Em Guarabira, na Paraíba, os presos trabalham em troca da redução de pena e estudam dentro da  prisão. Em Votorantim, no interior de São Paulo, uma cadeia feminina, oferece as detentas oficinas, trabalhos remunerados, lazer e até a oportunidade de produzir um programa de televisivo de dentro dos muros da prisão. A TV Cela.


A grande alegação por parte da sociedade, é que o presídio é um lugar para punição, para castigo de pessoas que tenham feito mal à sociedade de algum modo, e apenas isso. A reinclusão dessas pessoas no mercado de trabalho, dão-lhe uma nova motivação de vida. Diminuem consideravelmente as chances de reincidirem no mundo da criminalidade e apaziguam o ciclo vicioso da violência.
Os custos de medidas como essa podem impactar no orçamento do Brasil, porém, a terceirização dos presídios ou até mesmo a privatização desses, podem auxiliar de forma pontual os custos e a resocialização desses individuos excluidos pela sociedade, além de possuir maiores chances de amenizar a corrupção pelos agentes penitenciarios dando-lhes mais segurança e até os fiscalizando melhor. Claro, tudo sob a tutela do Estado.
Alguns defendem a tese de que empresas privadas não podem lucrar ás custas de pessoas que possuem  um débito moral com a sociedade, fato é que, pensamentos politicamente corretos e utópicos quando não levam a solução alguma, têem de abandonados, diante da real situação, proporcionando a esses seres humanos uma oportunidade de se redimir e lutar po um futuro.

 

6 comentários:

  1. Thay, adoreeeeei.. gostei de ler muito esse texto com essa nova vertente jornalística. Você vai longe, certeza! E o que eu digo é pra acreditar né? haha

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  2. RPZZ vindo de uma profissionaal AUHSAIAIUSHU da comunicação, eu tenho que acatar rs

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  3. Isso aí, e é pra acatar o que eu digo mesmo! :) hahaha

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  4. Realmente e infelizmente o sistema penitenciário brasileiro é uma vergonha! :(
    Ótimo o post, Thay!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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